Ano VII - 2007/2013 - BLOG FENÔMENOS SOBRENATURAIS - Developed by IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - ESTADO DO RIO DE JANEIRO - BRASIL.
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segunda-feira, 30 de março de 2009

O que é paranormal e pseudociência?

Paranormal é toda a experiência que parece transcender as leis naturais e estar fora dos limites da experiência normal ou dos fenômenos explicáveis pelos conhecimentos científicos existentes.O que define a paranormalidade de certos fenômenos é que os cientistas não podem referendar sua existência ou ocorrência com uma explicação ou teoria considerada plausível.


Por exemplo, os fenômenos parapsicológicos tais como a telepatia, a telecinese, a clarividência e a precognição são exemplos típicos do paranormal, pois não podem ser aprovados e explicados pela ciência atual.Pseudociência e paranormalidade não são a mesma coisa. Muitas crenças não são científicas porque violam as regras de evidência e os métodos de pesquisa científica, porém não são paranormais no sentido de invocar um poder ou mecanismo causal que contraria as leis da natureza.Crenças em fenômenos exóticos, tais como, o Mapinguari, Nessie, Yeti e Big Foot representam exemplos típicos de pseudociência. Teoricamente, dentro dos parâmetros atuais da ciência, tais criaturas poderiam existir sem violar nenhuma lei natural, porém a maioria dos cientistas considera que as evidências que poderiam apoiar sua existência são fracas, inconclusivas, contraditórias ou não-confirmatórias.


Os fenômenos do paranormal e pseudociência também tem sido referidos por alguns como "fenômenos fronteiriços" (fringe phenomena, em inglês), na medida em que seu equacionamento e tratamento os situa às margens da ciência atual.Terence Hines advoga um ponto de vista interessante ao considerar a paranormalidade como um subconjunto da pseudociência. Ele argumenta que todas as crenças paranormais são pseudocientíficas, porém nem toda a pseudociência tem natureza paranormal.


A pseudociência atrai e fascina as pessoas na medida em que apregoa a obtenção de grandes resultados com aplicação de um esforço mínimo. Luis Alfonso Gámez, no livro “Skeptical Odysseys”, com muita propriedade assim descreve o charme e sedução bem como os malefícios causados pela pseudociência:
“... esta é a imagem oferecida pela pseudociência: o acesso a conhecimento mágico, fama e dinheiro fácil sem precisar de estudo ou perseverança, está ao alcance de qualquer um capaz de ler um par de livros. Para esses, o estudo do paranormal vale mais que o esforço gasto em estudos tradicionais, tais como cursar uma faculdade ou lutar por um título de pós-gradução. Não é preciso nada para virar um especialista do paranormal. É por isso que há muitos deles por aí. Contudo, é preciso um tipo especial de caráter.”“


A pseudociência mata, pura e simplesmente. Deve-se à pseudociência, por exemplo, as mortes prematuras de pessoas que caíram nas mãos de curandeiros e recusaram terapias da medicina convencional tais como cirurgias cardíacas ou tratamentos contra o câncer que poderiam ter salvo suas vidas. Graças aos que administram a “cura pela fé”, muitas centenas de diabéticos são hospitalizados em estado de coma após interrupção do seu tratamento insulínico seguindo as recomendações desses 'terapeutas'. Muitos doentes de câncer abandonam a medicina científica e passam a tomar poções homeopáticas, extratos de ervas, cartilagem de tubarão ou submetem-se a cirurgias mediúnicas. Muitas famílias (nos E.U.A.) foram destruídas quando um de seus membros denunciou abuso sexual infantil com base em memórias reprimidas relatadas em sessões de hipnose, e admitidas nos tribunais como prova única.”“Devemos tudo isso, e muito mais, à pseudociência: pessoas inocentes são burladas em bilhões de reais por falsos profetas e com total impunidade; muitas empresas selecionam seu pessoal com base em análise de caligrafia orientada por consultores em grafologia ou em horóscopos de astrólogos em vez de dar atenção às capacidades genuínas dos candidatos a um posto de trabalho; o desperdício da curiosidade de milhares de jovens que caem nas mãos de místicos que oferecem explicações simplistas da realidade; enormes somas de dinheiro que alguns governos desperdiçaram em projetos de pesquisa mal concebidos, dinheiro esse que poderia ter sido usado para melhores finalidades.” “A maioria das pessoas, em toda a parte, adotam alguma forma de crença esotérica. Os levantamentos estatísticos indicam que, pelo menos entre o grande público, a pseudociência está avançando a passo firme. Algumas pessoas não se importam, mas eu afirmo que a pseudociência é perigosa não só para os seus discípulos, mas também para a sociedade inteira.”


O que é ceticismo?
Ser cético é "ver para crer" continuando assim a pôr em prática a antiga sabedoria de São Tomé. É não aceitar alegações extraordinárias sem provas ou evidências concretas. É trocar a fé pela ciência, esta última muito mais útil, produtiva e confiável.Falamos aqui do chamado "ceticismo científico" (diferente do ceticismo filosófico e epistemológico), uma ferramenta muito útil que nos permite uma análise crítica e moderna do Paranormal, Pseudociência e todos aqueles fenômenos ditos "fronteiriços", que ocorrem em áreas à margem da ciência.


A situação atual da ciência em todo o mundo é sombria. Em vez de ensinar os jovens a pensar, as escolas entulham suas cabeças com um amontoado de conhecimentos em sua maioria inúteis. O resultado é que campeiam a superstição e a ignorância num mundo infestado de anjos, OVNIs, ETs, astrólogos, videntes, seitas esotéricas e filosofias estranhas. A ciência vem paulatinamente estudando e desmistificando esses fenômenos misteriosos. Após 122 anos de investigação séria nenhum fenômeno paranormal foi cientificamente comprovado, e 57 anos de investigação de OVNIs e ETs resultaram em nada de concreto.A mídia vem tendo uma atuação simplesmente deplorável. No afã de criar notícias, livros e programas sensacionais, deixa-se de lado a análise crítica do conteúdo e dá-se guarida a qualquer boato e alegação extraordinária. A triste realidade é que sensacionalismo vende, ao passo que ceticismo não vende!Nas palavras de Michael Shermer, "há muitas razões pelas quais as pessoas acreditam em coisas fantásticas, mas certamente a mais comum é simplesmente porque nunca ouviram uma boa explicação para as coisas misteriosas que ouviram ou leram.


Por falta de uma boa explicação, elas aceitam a má explicação que é tipicamente oferecida. Só isto já justifica todo o trabalho duro feito pelos céticos em prol da causa da ciência e pensamento crítico. Isso faz 'aquela' diferença."Se você é um cético, saiba que não está só! Aproveite este maravilhoso meio de comunicação que é a Internet para trocar idéias e informação com os seus companheiros de jornada.


O ceticismo do cientista Marcelo Gleiser
O Ônus do Ceticismo Carl Sagan
Falsas ciências e teorias pseudocientíficas Valdir Gomes
Ávida Credulidade Renato Sabbatini
Desafios Daniel Sottomaior


"Na verdade, não existe o paranormal ou sobrenatural; há somente o normal e o natural – e mistérios a serem ainda explicados. É tarefa da ciência, não da pseudociência, solucionar esses enigmas com explicações naturais em vez de sobrenaturais."Michael Shermer


"É importante perceber que, em cem anos de pesquisas parapsicológicas, nunca houve uma única demonstração adequada da realidade de qualquer fenômeno paranormal (psi)."Terence Hines


"As guerras religiosas e a caça às bruxas teriam sido bem menos numerosas ao longo da história houvessem as alucinações sido conhecidas como fenômenos naturais e houvessem os 'possuídos pelo diabo' sido considerados doentes."Robert L. Thorndike


"O que se quer não é a vontade de acreditar mas o desejo de descobrir, que é exatamente o oposto."Bertrand Russell


"As ilusões de uma pessoa é insanidade, ilusões de uns poucos uma seita, e de muitos uma religião."Autor desconhecido


"A mais comum de todas as loucuras é acreditar apaixonadamente no que é evidente não ser verdadeiro. É a principal ocupação da humanidade."H. L. Mencken


"Liberdade para investigar espíritos, mas não 'espíritos santos', não é liberdade coisa nenhuma."Bruce L. Flamm e Janice R. Goings


"O maior inimigo da verdade é freqüentemente não a mentira – deliberada, planejada, desonesta – mas sim o mito – persistente, entranhado e irreal."John F. Kennedy


"Eu fiz um esforço incessante para não ridicularizar, não menosprezar, não escarnecer as ações humanas, mas sim para compreendê-las."Baruch Spinoza


"Então, quando estiver diante da pseudociência, mantenha a navalha de Ockham ao seu lado e entoe o mantra 'Hipótese, Experimento, Análise' para manter o tridente da Idiotice longe das suas partes carnudas."Steve Cook


Fonte:Geocities

Poltergeist

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nota: Esta página é sobre o fenômeno.
Capa da revista francesa "La Vie Mysterieuse", sobre o caso Therese Selles (1911).
Poltergeist (do alemão polter, que significa ruído, e geist, que significa espírito) é um tipo de evento sobrenatural que se manifesta deslocando objetos e fazendo ruídos.
Acredita-se que o foco dessa perturbação é muitas vezes uma criança na fase da puberdade, em geral do sexo feminino. O evento caracteriza-se por estar relacionado a um indivíduo e por ter curta duração. Difere da chamada assombração, que pode-se estender por anos, sempre associada a uma área, geralmente uma casa.
No fenômeno poltergeist um espírito perturbado usa o indíviduo para se manifestar, às vezes de forma agressiva, fazendo objetos como pedras, por exemplo, voarem pelos ares atingindo objetos e outras pessoas. Para a manifestação desse espírito, segundo a literatura espírita, é necessária a presença de um médium de efeitos físicos, ainda que seja completamente alheio à sua faculdade, para que os fenômenos ocorram.
Há casos famosos na literatura parapsicológica, como o da família Lutz que, em 1976, foi atormentada por entidades inferiores durante os 27 dias que viveram em uma casa na pequena cidade de Amityville, nos Estados Unidos da América, que passaria às telas de cinema com o nome de Horror em Amityville. Um dos integrantes da família, George Lutz afirmou que durante a noite ouvia o ruido de uma banda marcial tocando na sua sala de estar, evento só constatado por ele.

sexta-feira, 27 de março de 2009

O Relâmpago e o Trovão

Durante a formação de uma tempestade, verifica-se que ocorre uma separação de cargas elétricas, ficando as nuvens mais baixas eletrizadas negativamente, enquanto as nuvens mais altas se eletrizam positivamente. Várias experiências realizadas por pilotos de avião voando perigosamente através de tempestades, comprovaram a existência desta separação de cargas.
Podemos concluir que existe, portanto, um campo elétrico entre as nuvens mais baixas e mais altas. A nuvem mais baixa, carregada negativamente, induz na superfície terrestre uma carga positiva , criando um campo elétrico entre elas.
À medida que vão avolumando as cargas elétricas nas nuvens, a intensidade destes campos vão aumentando, acabando por ultrapassar o valor da rigidez dielétrica do ar..
Quando isso acontece, o ar torna-se condutor e uma enorme centelha elétrica
( relâmpago ) salta de uma nuvem para outra ou de uma nuvem para a Terra
Esta descarga elétrica aquece o ar, provocando uma expansão que se propaga em forma de uma onda sonora que chega diretamente da descarga, como também pelas ondas refletidas em montanhas, prédios, etc.
Fonte: educar.sc.usp

sexta-feira, 20 de março de 2009

A ALMA APÓS A MORTE

A VIDA E A MORTE
Qual é a causa da morte, nos seres orgânicos?
- A exaustão dos órgãos.

Pode - se comparar a morte à cessação do movimento numa a máquina desarranjada?
- Sim, pois se a máquina estiver mal montada, a sua mola se quebra: se o corpo estiver doente, a vida se esvai.

Por que uma lesão do coração, mais que a dos outros órgãos, causa a morte?
- O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.

Em que se transformam a matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, após a morte?
- A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o princípio vital retorna à massa.

Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formaram passam por novas combinações, constituindo novos seres, que haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir.
Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem-se entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas. Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos foram destruídos, ou profundamente alterados, o fluido vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre.
Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjaram; como um relógio gasto pelo uso, ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pode pôr em movimento.
Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam enquanto o fluido não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está vivo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa: o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade ocasiona a morte.



A ALMA APÓS A MORTE
Em que se transforma a alma no instante da morte?
- Volta a ser Espírito, ou seja, retoma ao mundo dos Espíritos, que ela havia deixado temporariamente.


A alma conserva a sua individualidade após a morte?
- Sim, não a perde jamais. O que seria ela, se não a conservasse?


Como a alma constata a sua individualidade, se não tem mais o corpo material?
- Tem um fluido que lhe é próprio, que tira da atmosfera do seu planeta e que representa a aparência da sua última encarnação: seu perispírito.


A alma não leva nada deste mundo?
- Nada mais que a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Essa lembrança é cheia de doçura ou de amargor, segundo o emprego que tenha dado à vida. Quanto mais pura ela for, mais compreenderá a futilidade daquilo que deixou na Terra.


Que pensar da opinião de que a alma, após a morte, retorna ao todo universal?
- O conjunto dos Espíritos não constitui um todo? Quando estás numa assembléia, fazes parte integrante da mesma, e não obstante conservas a tua individualidade.


Que prova podemos ter da individualidade da alma após a morte?
- Não tendes esta prova pelas comunicações que obtendes? Se não estiverdes cegos, vereis; e se não estiverdes surdos, ouvireis; pois freqüentemente uma voz vos fala e vos revela a existência de um ser que está ao vosso redor.


Os que pensam que a alma, com a morte, volta ao todo universal estarão errados, se por isso entendem que ela perde a sua individualidade como uma gota d'água que caísse no oceano. Estarão certos, entretanto, se entenderem pelo todo universal o conjunto dos seres incorpóreos de que cada alma ou Espírito é um elemento.
Se as almas se confundissem no todo, não teriam senão as qualidades do conjunto, e nada as distinguiria entre si; não teriam inteligência nem qualidades próprias. Entretanto, em todas as comunicações elas revelam a consciência do eu e uma vontade distinta. A diversidade infinita que apresentam, sob todos os aspectos, é a conseqüência da sua individualização. Se não houvesse, após a morte, senão o que se chama o Grande Todo, absorvendo todas as individualidades, esse todo seria homogêneo, e então as comunicações recebidas do mundo invisível seriam todas idênticas. Desde que encontramos seres bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e desgraçados, desde que há de todos os caracteres: alegres e tristes, levianos e sérios, etc., é evidente que se trata de seres distintos.
A individualização ainda se evidencia quando estes seres provam a sua identidade por meio de sinais incontestáveis, de detalhes pessoais relativos à vida terrena, e que podem ser constatados; ela não pode ser posta em dúvida quando eles se manifestam por meio das aparições. A individualidade da alma foi teoricamente ensinada como um artigo de fé, mas o Espiritismo a torna patente e, de certa maneira, material. (As teorias psicológicas, metapsíquicas e outras, sobre as aparições são hipóteses pessoais e parciais, que não abrangem a totalidade dos fatos e bastaria isso para provar a sua fragilidade e insustentabilidade científicas. (N. do T.))


Em que sentido se deve entender a vida eterna?
- É a vida do Espírito que é eterna: a do corpo é transitória, passageira. Quando o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.


Não seria mais exato chamar vida eterna a dos Espíritos puros, que tendo atingido o grau de perfeição, não têm mais provas a sofrer?
- Essa é a felicidade eterna. Mas tudo isto é uma questão de palavras: chamai as coisas como quiserdes, desde que vos entendais.



SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO
A separação da alma e do corpo é dolorosa?
- Não; o corpo, freqüentemente, sofre mais durante a vida que no momento da morte; neste, a alma nada sente. Os sofrimentos que às vezes se provam no momento da morte são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.
Na morte natural, que se verifica pelo esgotamento da vitalidade orgânica, em conseqüência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de energia.


Como se opera a separação da alma e do corpo ?
- Desligando-se os liames que a retinham, ela se desprende.


A separação se verifica instantaneamente, numa transição brusca? Há uma linha divisória bem marcada entre a vida e a morte?
- Não; a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo que fosse libertado. Os dois estados se tocam e se confundem, de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos seus liames; estes se soltam e não se rompem.


Durante a vida, o Espírito está ligado ao corpo pelo seu envoltório material ou perispírito; a morte é apenas a destruição do corpo, e não desse envoltório, que se separa do corpo quando cessa a vida orgânica. A observação prova que no instante da morte o desprendimento do Espírito não se completa subitamente; ele se opera gradualmente, com lentidão variável, segundo os indivíduos. Para uns é bastante rápido e pode dizer-se que o momento da morte é também o da libertação, que se verifica logo após. Noutros, porém, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito mais demorado, e dura às vezes alguns dias, semanas e até mesmo meses, o que não implica a existência no corpo de nenhuma vitalidade, nem a possibilidade de retorno à vida, mas a simples persistência de uma afinidade entre o corpo e o Espírito, afinidade que está sempre na razão da preponderância que, durante a vida, o Espírito deu à matéria. É lógico admitir que quanto mais o Espírito estiver identificado com a matéria, mais sofrerá para separar-se dela. Por outro lado, a atividade intelectual e moral e a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo durante a vida corpórea, e quando a morte chega é quase instantânea. Este é o resultado dos estudos efetuados sobre os indivíduos observados no momento da morte. Essas observações provam ainda que a afinidade que persiste, em alguns indivíduos, entre a alma e o corpo, é às vezes muito penosa, porque o Espírito pode experimentar o horror da decomposição. Este caso é excepcional e peculiar a certos gêneros de morte, verificando-se em alguns suicidas.


A separação definitiva entre a alma e o corpo pode verificar-se antes da cessação completa da vida orgânica?
-Na agonia, às vezes, a alma já deixou o corpo, que nada mais tem do que a vida orgânica. O homem não tem mais consciência de si mesmo, e não obstante ainda lhe resta um sopro de vida. O corpo é uma máquina que o coração põe em movimento. Ele se mantém enquanto o coração lhe fizer circular o sangue pelas veias e, para isso, não necessita da alma.


No momento da morte a alma tem às vezes uma aspiração ou êxtase que lhe faz entrever o mundo para o qual regressa?
- A alma sente, muitas vezes, que se desatam os liames que a prendem ao corpo e então emprega todos os seus esforços para os desligar de uma vez. Já parcialmente separada da matéria, vê o futuro desenrolar-se ante ela e goza por antecipação do estado de Espírito.


O exemplo da larva que primeiro se arrasta pela terra, depois se fecha na crisálida, numa morte aparente, para renascer numa existência brilhante, pode dar -nos uma idéia da vida terrena, seguida do túmulo e por fim de uma nova existência?
- Uma pálida idéia. A imagem é boa, mas é necessário não tomá-la ao pé da letra, como sempre fazeis.


Que sensação experimenta a alma no momento em que se reconhece no mundo dos Espíritos?
- Depende. Se fizeste o mal com o desejo de fazê-lo, estarás, no primeiro momento, envergonhado de o haver feito. Para o justo, é muito diferente: ele se sente aliviado de um grande peso, porque não receia nenhum olhar perquiridor.


O Espírito encontra imediatamente aqueles que conheceu na Terra e que morreram antes dele?
- Sim, segundo a afeição que tenham mantido reciprocamente. Quase sempre eles o vêm receber na sua volta ao mundo dos Espíritos e o ajudam a libertar-se das faixas da matéria. Vê também a muitos que havia perdido de vista durante a passagem pela Terra; vê os que estão na erraticidade, bem como os que se encontram encarnados, que vai visitar.


Na morte violenta ou acidental, quando os órgãos ainda não se debilitaram pela idade ou pelas doenças, a separação da alma e a cessação da vida se verificam simultaneamente ?
- Geralmente é assim; mas, em todos os casos, o instante que os separa é muito curto.


Após a decapitação, por exemplo, o homem conserva por alguns instantes a consciência de si mesmo?
- Freqüentemente ele a conserva por alguns minutos, até que vida orgânica se extinga de uma vez. Mas muitas vezes a preocupação da morte lhe faz perder a consciência antes do instante do suplício.


Não se trata, aqui, senão da consciência que o supliciado pode ter de si mesmo como homem, por meio do corpo, e não como Espírito. Se não perdeu essa consciência antes do suplício, ele pode conservá-la por alguns instantes, mas de duração muito curta, e a perde necessariamente com a vida orgânica do cérebro. Isso não quer dizer que o perispírito esteja inteiramente desligado do corpo, mas, pelo contrário, pois em todos os casos de morte violenta, quando esta não resultada da extinção gradual das forças vitais, os liames que unem o corpo ao perispírito são mais tenazes, e o desprendimento completo é mais lento.
A quantidade de fluído vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturado de fluído vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos e, de certa maneira, de vida superabundamente.
A quantidade de fluído vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contém. O fluído vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e em certos casos fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.


Allan Kardec - O Livro dos Espíritos

quarta-feira, 18 de março de 2009

CORPOS de SANTOS são mantidos intactos pela igreja



Quando o corpo do Papa João XXIII foi exumado, em março de 2001, estava em boas condições, apesar de morto há 37 anos. Na época, o Papa João Paulo II decidira que João XXIII precisava de um novo local para abrigar seus restos mortais de modo atender mais convenientemente ao grande número de visitantes que se dirigiam à sua tumba, que ficava na Cripta de Basílica de São Pedro, em Roma. Hoje, em 2005, João Paulo II, filho de camponeses e conhecido como “Papa do Povo”, está a caminho da santificação e um dos primeiros passos deste processo é a exumação do cadáver a fim de se possa proceder à identificação, um procedimento de praxe.Embora os corpos dos Papas não sejam inteiramente embalsamados, são “preservados” com formol a fim de prolongar o período possível de exposição pública. Sobre o caso do Papa João XXIII, Joseph Watts, que coordena funerais e exumações do Vaticano, comentou no New York Daily News: “Ele foi embalsamado como de costume. Isso é feito por médicos e o lugar em que o corpo foi colocado, as Catacumbas, é perfeito. Watts, que visitou a tumba na ocasião da exumação, disse que o estado de preservação do Papa, provavelmente, foi resultado de uma combinação de fatores: o fluído balsâmico era um composto com base em um formolaldeído e outras substâncias químicas; o caixão possui três camadas e foi colocado em uma cripta de mármore. Não havia infiltração de água ou qualquer coisa que favorecesse a desintegração do corpo.

Vicenzzo Pascalli, da Universidade de Roma, também considera normal o estado de preservação do corpo do Papa João XXIII: “Isso é muito mais comum do que geralmente se pensa. O corpo do Santo Padre estava bem protegido e o oxigênio era escasso no interior do caixão que, em sua estrutura de três camadas, contém materiais como chumbo e zinco que capturam o oxigênio, o que ajuda a retardar o processo de decomposição.”
Fonte:curiosidadesnanet

domingo, 15 de março de 2009

O Horror do Passado

Múmias descobertas no Peru permitem nova visão de uma civilização perdida
Mariana Bazo/Reuters





Um gesto de dor preservado para a eternidade: a posição fetal podia ser uma forma de preparar para o renascimento

As múmias egípcias são as mais famosas e estudadas do mundo. Mas, quando o assunto é impacto dramático, as andinas podem surpreender. De doze múmias da cultura chachapoya encontradas nas florestas do norte do Peru , uma em especial impressionou os arqueólogos por seu gesto e expressão. Suas mãos sustentam a cabeça e, entre elas, uma boca escancarada urra de dor, lembrando o quadro O Grito, do pintor norueguês Edvard Munch. Sete anos atrás, exploradores encontraram três múmias de crianças incas de aparência igualmente impressionante nas encostas de um vulcão ao norte da Argentina. A 6.000 metros de altitude, a baixa temperatura fez com que os corpos fossem preservados. Órgãos internos, o sangue e até a pele permaneceram praticamente intactos, o que permitiu uma visão perfeita da serena fisionomia dos pequenos, como se a morte deles tivesse sido recente.
Os corpos dos chachapoyas permaneceram por 600 anos em uma caverna a 25 metros de profundidade até ser descobertos por um fazendeiro. Os chachapoyas se instalaram na região por volta do ano 800. Criavam lhamas e construíram cidades e fortalezas em áreas montanhosas de difícil acesso. A cidade mais bem preservada é Cuelap, a 3.000 metros acima do nível do mar, onde ruínas de 400 edifícios e torres de defesa, com paredes e frisos decorados, se escondem na mata. Apesar de sua elevada estatura e da fama de aguerridos lutadores, não conseguiram impedir, no século XV, a conquista pelos incas, que os chamavam de "povo das nuvens" (chachapoyas, na língua quíchua). A civilização então entrou em decadência. Como parte da política inca de subjugação de outros povos, adultos foram deportados para diversas regiões do império, que ia do Equador ao norte do Chile. Com a chegada dos conquistadores espanhóis, no século XVI, os poucos sobreviventes aliaram-se aos europeus na luta contra seus antigos dominadores.





Saedi Press/AP
O faraó Tutancâmon: tomografia para reconstituir a face


Foram os incas que ensinaram aos chachapoyas os métodos para embalsamar os mortos. Pedaços de algodão eram colocados debaixo das bochechas, na boca e no nariz, as vísceras eram retiradas, pernas e braços eram dobrados imitando um feto. A posição tem pelo menos duas explicações possíveis. "Pode ser uma forma de ocupar menos espaço ou de preparar o falecido para um renascimento no futuro", diz a arqueóloga Márcia Severina Vasques, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Para evitarem a decomposição dos corpos na úmida Floresta Amazônica, os chachapoyas construíram plataformas de pedras e de madeira em penhascos que se elevam abruptamente no meio da mata. Também instalaram tumbas no interior de cavernas. A técnica funcionou. O mais difícil foi sobreviver ao vandalismo. Em 1996, camponeses descobriram mais de 200 múmias chachapoyas num penhasco próximo ao Lago dos Condores, a noroeste do Peru. Abriram os túmulos com ferramentas em busca de tesouros e roubaram peças. Quando souberam da notícia, arqueólogos do mundo todo correram para o local para barrar o vandalismo. Em 2000, um museu foi inaugurado na cidade próxima de Leimebamba para acolher os objetos.






Osvaldo Stigliano/El Tribuno/AP
Múmia inca: expressão facial preservada

Hoje as múmias dão um testemunho de enorme valor sobre sociedades do passado. O avanço da tecnologia de imagem, por exemplo, permite enxergar o corpo com precisão e em três dimensões – assim, recolhem-se informações difíceis de obter, como seus hábitos alimentares, rituais fúnebres e de que enfermidades sofriam. A tomografia realizada na múmia do faraó Tutancâmon, cuja tumba foi encontrada em 1922, permitiu reconstituir sua face, vista pela primeira vez em 3 300 anos. Encontrou-se também uma grave fratura no fêmur. Especialistas acreditam que uma infecção provocada por esse ferimento poderia ter sido o motivo da misteriosa morte do faraó, aos 19 anos. Outra múmia famosa é a de um caçador com mais de 5.000 anos encontrado nos Alpes italianos em 1991. Exames feitos em 2001 descobriram a ponta de uma flecha encravada no seu ombro esquerdo e vestígios de sangue de outras quatro pessoas, o que indicaria sua morte em luta. No caso das múmias chachapoyas, os achados são de imenso valor para compreender essa civilização perdida, que não dominava a escrita e não deixou documentos para auxiliar seu estudo. As múmias são uma ferramenta privilegiada para compreender o passado

sábado, 14 de março de 2009

O fenômeno físico

A chuva

A energia que faz a chuva vem do sol.
Esquenta e ilumina o planeta provocando evaporação das águas,
fotossíntese e evapotranspiração das plantas, etc.
Esta umidade vai sendo acumulada no ar.

A simples existência do calor do sol provoca movimentação das massas de ar
formando alguns tipos de ventos, e a radiação solar diferenciada pelo giro da terra
forma outros, que se misturam e interagem.

Uma quantidade imensa de água paira invisível sobre nossas cabeças.
Está em toda parte, inclusive entre seus olhos e a tela do seu computador.
Entra e sai de nossas narinas, etc..

Esta água é denominada umidade relativa do ar.

É ela que, sob certas circunstâncias,
forma nuvens e depois cai sob a forma de chuva.


A umidade relativa do ar

A umidade do ar é dita relativa,
porque se relaciona com a temperatura do ar.

Isto se dá de forma diretamente proporcional, ou seja:

quanto maior a temperatura do ar,
maior sua capacidade de conter umidade

É fácil percebermos se está alta ou baixa, pendurando roupa úmida no varal, à sombra.
Se a roupa secar logo, é porque "coube" facilmente mais umidade no ar, ou seja,
o ar estava com baixa umidade relativa.
É importante considerar a velocidade do vento, que quanto maior,
tanto mais renova o ar que passa imediatamente próxima ao tecido,
apressando a evaporação da água.

Um dos aparelhos utilizados para medir a umidade relativa,
a que dá-se o nome de psicrômetro,
consta simplesmente de dois termômetros iguais,
mas um deles tem um cadarço úmido envolvendo o seu bulbo.
(A outra ponta do cadarço está num pequeno vaso com água,
para que todo o cadarço permaneça úmido).

Seu princípio físico de funcionamento é mais ou menos assim:
quando a água vai evaporando do cadarço,
passa de estado líquido (do cadarço) para o estado gasoso (para o ar).
Nesta passagem de estado,
há um consumo de energia térmica.
Este mesmo processo é utilizado por algumas espécies de animais,
para que possam perder calor, o que chamamos comumente de suor.

Para se saber então, a umidade relativa do ar naquele momento,
basta que se tome a diferença de temperatura entre os dois termômetros,
e se confira o resultado em uma tabela pré-estabelecida
que relaciona a temperatura com a umidade.
Daí, obtemos a chamada Umidade Relativa do Ar.

Veja em "A formação das nuvens" abaixo,
como é que ocorre o processo inverso,
em que a umidade relativa do ar volta a ser água novamente.


A formação das nuvens

As nuvens se formam pela perda da capacidade do ar de conter umidade.

Isto ocorre normalmente,
quando massas de ar que estão com alta umidade relativa,
sofrem resfriamento.

Na atmosfera, isto se dá normalmente pela elevação destas massa de ar.

Ao subir, o ar vai se expandindo pela diminuição da pressão atmosférica.
Esta expansão, desconcentra calor, resfriando-o.

À medida que o ar vai se resfriando,
ele vai perdendo a capacidade de conter umidade,
ou seja,
sua umidade relativa vai aumentando até chegar a 100% da sua capacidade.
Daí para frente, a umidade começa a aparecer sob a forma de pequenas gotículas de água
que pairam no ar, levadas pelos ventos.

Quando o fenômeno ocorre a certa altura, chamamos de nuvem,
quando está próximo do chão, chamamos de neblina, serração, névoa, etc..

Se o processo continuar se intensificando,
haverá a precipitação da umidade em forma de chuva.

Tipos de chuvas

É muito simples identificar os tipos de chuvas, e prever sua ação e duração.
Veja a seguir:

A elevação das massa de ar, na América do Sul, ocorrem comumente de três formas,
as quais originam os três tipos básicos de chuva. São eles:

Chuva
Convectiva


Características: típica chuva de verão, com grande intensidade
e curta duração (é menos comum no inverno).
Pode produzir ventos locais e muitos raios. Ocorre pela formação de "corredores" verticais de ar, provocados pela elevação de massas de ar quente.

Como se forma: quando o sol aquece a terra, formam-se células convectivas.
Estas células são imensas massas de ar aquecido na superfície da terra,
que iniciam uma subida em algum local.
Esta subida tende a puxar para cima mais ar aquecido da superfície da terra.
O ar aquecido que está subindo empurra para cima e para os lados o ar que está acima dele. Acelera-se o processo como numa ampla e gigantesca chaminé.
Por isto, estas nuvens tem um formato típico de cogumelo.
São muito grandes, podendo ter dezenas de quilômetros de diâmetro,
e vários quilômetros de altura.

Podem ocorrer isoladas (com céu azul em volta),
o que é facilmente observado por pessoa que não esteja sob a imensa nuvem.

Quando o processo produz nuvens muito altas e de grande energia cinética,
criam ambiente ideal para formação de granizo.

Apresentam grande atividade elétrica interna,
com infinidades de raios e violentos ventos verticais e turbulências diversas.
São um enorme perigo para aeronaves.
Podem produzir grandes diferenças de potencial elétrico com a terra,
possibilitando intensa ocorrência de raios.
É uma nuvem muito sonora e relampagueante.

Chuva
Frontal


Características: é uma chuva de menor intensidade, com pingos menores, e de longa duração. Pode ocorrer por vários dias,
apresentando pausas e chuviscos entre fases mais intensas.

Na metade sudeste do continente, pode ocorrer em qualquer época do ano, mas tem maior duração nos meses frios, quando os fenômenos atmosféricos são menos intensos.
Pode produzir ventos fortes e grande quantidade de raios. Ocorre em uma imensa área simultaneamente.

Como se forma: ocorre pelo encontro de duas grandes massa de ar.
Uma quente e úmida, estacionária ou vinda do quadrante norte,
outra fria, vinda do quadrante sul.
A frente fria, mais densa, entra por baixo,
levando para cima a massa de ar quente.
Quando esta massa de ar quente possui elevada umidade relativa,
a chuva é iminente.

A intensidade dos fenômenos (chuvas, ventos, raios),
depende da intensidade dos elementos envolvidos
(velocidade dos deslocamentos, umidade e temperatura das massas de ar).
Frentes frias ocorrem comumente a cada 6 a 8 dias,
e poderão ou não provocar chuva.

Chuva
Orográfica

Características: ocorre quando uma nuvem encontra um alto obstáculo em seu caminho, como uma grande elevação do terreno, cadeia de morros, serra, etc.

Como se forma: para a massa de ar transpor o obstáculo, é forçada a subir.
Aí ocorre aquela velha história: ar que sobe é ar que se expande pela menor pressão atmosférica, e ar que se expande é ar que "dilui" calor. Massa de ar que perde calor, perde junto a capacidade de conter umidade, o que gera nuvens e em segmento, chuva.
Daí a grande incidência de nebulosidade e chuvas, muitas vezes torrenciais,
nas altas encostas dos morros.

Estas nuvens podem provocar tempestades elétricas perigosas,
pela proximidade da terra com as nuvens, sobretudo quando ocorre juntamente com outro tipo de chuva (frontal, convectiva).
Fonte: Lua.pop

domingo, 1 de março de 2009

FENÔMENOS ESPIRITUAIS

Sócrates e Platão na antiguidade e mais recentemente Paracelso e Swedenborg já haviam vislumbrado o mundo espiritual, mas foi no início do século XIX que os fenômenos aconteceram de forma avassaladora. Inclusive eram usadas por muitos incautos para exibições públicas. O povo adorava as manifestações, mas achava que se tratava de ilusionismo.



ALLAN KARDEC

Em 1857, Allan Kardec (pseudônimo adotado por Hyppolite Léon Denizard Rivail), nascido em 1804 em Lyon, na França, publica "O Livro dos Espíritos". O Público soube então que aquilo que vinha considerando uma diversão era na realidade uma espantosa realidade que merecia muito respeito. Kardec continuou com as suas pesquisas e lançou outros livros: O Livro dos Médiuns e "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de nítido cunho religioso. Os livros, segundo Kardec, eram ditados por espíritos (seus guias espirituais) em sessões reservadas. O cuidado com as entidades espirituais para evitar informações propositadamente inverídicas, ditadas por espíritos brincalhões se fazendo passar por sérios, era a técnica de Allan Kardec para chegar à verdade. Nasceu assim o espiritismo (termo criado por ele).
Depois, diversos estudiosos pesquisaram os fenômenos espirituais: Mesmer, Zöllner, Lombroso, Flammarion, Lodge, Bozzano, Geley e muitos outros, mas um cientista notável se destacou pelos resultados que conseguiu e que injustamente não foram, até hoje, definitivamente reconhecidos por todos, principalmente pela Comunidade Científica, embora o seu relatório não tenha deixado dúvidas. O nome dele é Sir William Crookes.

PESQUISAS DE WILLIAM CROOKES

William Crookes foi um dos mais brilhantes físicos da história da humanidade. Sua descoberta do elemento químico que denominou Thallium e as invenções do radiômetro(*), do espintariscópio(**) e da ampola Crookes (***) constitui apenas uma parcela da sua grande colaboração científica para o progresso da humanidade. Crookes recebeu as maiores honrarias da sociedade inglesa.
Foi eleito membro da Sociedade Real em 1863 e recebeu dessa entidade em 1875 a Royal Gold Medal, por suas pesquisas nos campos da física e da química. Depois foi agraciado com a Davy Medas (1888) e a Sir Joseph Copley Medas (1904). Foi nomeado Cavalheiro pela Rainha Vitória em 1897 e recebeu a Ordem do Mérito em 1910. Foi, por diversas vezes, presidente da Royal Society, da Chemicak Society, da Institution of Eletrical Engineers, da Society for Psychical Research e da British Association.
Em 1859, Crookes fundou o Chemical News. Depois foi redator do Quarterley Jounal of Science. Em 1880, a Academia de Ciências da França lhe conferiu uma medalha de ouro em reconhecimento ao seu inestimável trabalho. Justamente nessa época estavam em voga, na Europa e na América, os fenômenos espirituais. Era um desafio para a ciência que Crookes resolveu enfrentar. Iniciou as pesquisas pensando que tudo fosse tramóia dos apresentadores. Seus colegas de ciência achavam o mesmo e ficaram satisfeitos com a atitude de Crookes em pesquisar o assunto, achando eles que o eminente colega colocaria logo um ponto final naquilo que consideravam uma farsa.
Com o auxilio da médium Florence Cook e o Sr. Home, Crookes pesquisou durante quatro anos os fenômenos a seguir:
Movimento de corpos pesados com contato, mas sem esforço mecânico; fenômenos de percussão e outros sons semelhantes; movimento de objetos pesados colocados à distância do médium; mesas e cadeiras elevadas do solo sem ninguém lhes tocar; elevação de corpos humanos; aparições luminosas diversas; aparição de mãos luminosas ou visíveis à luz fraca; aparições de fantasmas; casos particulares demonstrando a ação de uma inteligência exterior; manifestações outras. Crookes fotografou ainda Katie King, o espírito que se materializava nas sessões de pesquisa, por 42 vezes. Esse material foi uma das mais contundentes provas da veracidade dos fenômenos.
Após a pesquisa Crookes publicou o seu relatório e enviou uma carta ao Sr.Stokes, Secretário da Sociedade Real, pedindo que viesse constatar os fatos in loco. Recusando-se Stokes assumiu a mesma postura dos cardeais que não quiseram ver as luas de Júpiter no telescópio de Galileu.
Crookes foi a partir daí ridicularizado pelos pensadores daquela época e até por colegas cientistas. Mesmo assim, prosseguiu com as pesquisas. Teve uma grande decepção ao receber uma das mais significativas homenagens da Coroa Britânica, o título nobiliárquico de "Sir". Foi-lhe sugerido que abandonasse as pesquisas e o que é pior, mudasse a conclusão do seu relatório e admitisse que tudo se tratava de uma alucinação psicológica. Crookes refutou com energia a sugestão indigna e continuou com os mesmos propósitos e a mesma certeza da existência da consciência humana depois do desaparecimento do corpo físico.



MAX PLANCK E A FÍSICA QUÂNTICA

Embora suas pesquisas não tivessem nada, diretamente, a ver com os fenômenos espirituais, um físico iluminado chamado Max Planck fez, em 1900, uma descoberta que provou, de maneira incontestável, a existência de outras dimensões (planos). Questão fundamental para se entender cientificamente para onde vão as nossas consciências depois da morte do corpo físico.
A Mecânica Quântica demonstrou a incerteza da localização e "momentum" de um elétron em uma órbita. Isso liquidou com o determinismo matemático e absoluto da física clássica, dando lugar então, ao determinismo das probabilidades e estatístico. A nova descoberta provocou a interação entre a ciência formal e o espiritismo científico (Kardecismo) . "Trocados em miúdos": Quando os corpúsculos do átomo desaparecem, vão pra onde?... Vão para algum lugar, é claro... E se voltam... Então esse lugar representa, sem nenhuma dúvida, uma outra dimensão, um outro ou inúmeros outros universos, onde podem estar também as consciências humanas que já deixaram o corpo material.

Os cientistas sempre tiveram uma postura cética em relação aos fenômenos sem explicação formal. Novas técnicas de comprovação desses fenômenos, no entanto, estão sendo criadas e cada vez mais a verdade vem à tona. O problema dos cientistas é que eles ainda teimam em usar métodos convencionais, exigindo a reprodutibilidade do fenômeno como se um espírito fosse uma reação química qualquer ou coisa que o valha. Ora, os espíritos não estão interessados em servir de cobaia e ainda mais, para quem a priori duvida de tudo.
Aos poucos no entanto, alguns cientistas vão reconhecendo o valor inestimável das pesquisas de Crookes, Charles Richet, Arthur Conan Doyle, Zöllner e outros pesquisadores. Reconhecendo também a ineficácia dos métodos convencionais para pesquisar fenômenos desse tipo.

O Prof. Álvaro Vannucci - do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, é um deles e diz no seu site:
"Tenho muito interesse nos assuntos ligados ao espiritismo codificado por Allan Kardec. No meu entender, os fenômenos mediúnicos (paranormais) ocorrem segundo leis naturais, que ainda não foram descobertas ou devidamente entendidas pela ciência atual. A principal dificuldade de se investigar esses fenômenos corresponde ao fato deles não serem reprodutíveis. Isto, no entanto, não impediu, que grandes cientistas como William Crookes, Charles Richet e Arthur Conan Doyle, se envolvessem intensamente com este fascinante assunto".

FATOS IMPRESSIONANTES
O redator desta matéria já teve experiências espontâneas, no ano de l974, como se sentir fora do corpo e sonhar com situações que logo aconteciam. Mas, o mais importante foi ter sido curado de uma grave moléstia pulmonar, não diagnosticada. A cura aconteceu logo depois de uma sessão de passes no Centro Espírita dirigido, na época, pelo Major Weyne (já falecido), no bairro de Messejana, em Fortaleza. No dia seguinte, as radiografias, tiradas no Hospital de Messejana, que antes apresentavam manchas que mudavam de lugar a cada nova chapa, nada mais revelavam de anormal e o paciente passou a gozar da mais perfeita saúde. As radiografias, ainda existentes, constituem uma prova irrefutável.
PS - "A eternidade será pouca para agradecer aos espíritos Bezerra de Menezes, Wilson de Brito, Diomendes Cordeiro Cavalcante (meu avô), José Araripe Cavalcante (meu tio), Helda Freire, que ainda em vida muito e primeiramente me ajudou, juntamente com um espírito amigo que se comunicava com ela através do Código Morse, e, muito especialmente, minha eterna gratidão vai para Nossa Senhora, mãe adotiva de todos nós, a quem roguei por minha vida e a minha querida mãe que procurou os meios certos para a minha cura, com muita fé e amor pelo filho (Nivardo Cavalcante Nepomuceno)".

"DÉJÀ VU", PREMONIÇÃO, CHAME DO QUE QUISER...
A mãe do redator também já teve experiências espontâneas, recebendo entidades, em diversas oportunidades, no próprio lar. O mais impressionante no entanto, foi ter tido uma visão, nítida, com quinze dias de antecedência, do funeral do Senhor Cancão, proprietário da loja do mesmo nome (antiga Ótica Cancão).
Um dos detalhes mais interessantes da visão foi a colocação do caixão: deixando o corpo com os pés voltados para o interior da casa, posição contrária ao procedimento costumeiramente adotado. Exatamente como a mãe do redator havia visto na sua estranha visão. Outros detalhes impressionantes: os castiçais de madeira, ao invés dos usuais de metal e os adereços que depois foram identificados como de origem maçônica. Isso tudo, sem se falar da morte em si, já que o citado senhor nem estava doente.
As explicações para fenômenos semelhantes, por parte dos parapsicólogos, tipo Padre Quevedo, são simplórias e até ridículas. Falam apenas em "déjà vu" ou premonições e pronto, está explicado... Quando esses pretensos estudiosos vão cair na realidade?

As Leis de Planck
Expressão matemática que descreve a quantidade de potência irradiada por um corpo negro em diferentes comprimentos de ondas. A lei foi formulada em 1900, pelo físico alemão Max Planck e assinalou o início da mecânica quântica. Foi deduzida a partir da percepção de que a energia é sempre trocada em pacotes discretos, os quais Planck chamou de "quanta". Em particular, a luz é emitida na forma de fótons (quanta de luz), cuja energia depende de seu comprimento de onda no vácuo


Nivardo Cavalcante

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Descoberta múmia mais bem conservada do mundo

Além do cadáver bem conservado, outras 30 múmias foram encontradas na câmara mortuária

Arqueólogos egípcios descobriram a múmia mais bem conservada do mundo em um sarcófago da necrópole da cidade histórica de Saqqara, no sul do Cairo, divulgou em comunicado nesta quarta-feira o Conselho Supremo de Antiguidades. O sarcófago foi encontrado em uma câmara mortuária que continha 30 múmias com cerca de 2,6 mil anos, datadas da dinastia XXVI. As informações são do diário espanhol La Vanguardia.

Segundo o responsável pelas escavações e chefe da instituição, Zahi Hawass, a múmia está "completamente preservada no melhor estado possível" e poderia abrigar entre suas camadas de linho em torno de 100 amuletos usados para proteger os mortos.

Um cão mumificado, que era enterrado para trazer sorte e acompanhar a pessoa na outra vida, também foi identificado no local.

Fonte: Portal Terra

Jovem do RS afirma ter sido atacada por 'lobisomem'

Vítima de 'lobisomem' fez desenho do agressor (Foto: Lauro Alves/Diário de Sta. Maria/Ag. RBS)

Moradores de São Sepé (RS) têm um motivo a mais para temer esta sexta-feira (13). Além do azar e dos estranhos acontecimentos atribuídos ao dia, um ‘lobisomem’ estaria à solta. Uma das possíveis vítimas, de 20 anos, registrou ocorrência na delegacia.
Segundo a Polícia Civil, Kelly Martins Becker afirma ter sido atacada, na noite de 28 de janeiro, por um bicho parecido com um cachorro grande, que ficava apoiado nas patas traseiras e andava como se fosse um homem. Ela chegou a fazer um rascunho para descrever a criatura.
De acordo com a ocorrência registrada, o agressor teria arranhado o rosto e os braços da vítima. A polícia informou que Kelly foi submetida a um exame de corpo de delito, no qual foram constatadas as escoriações.
Fonte: G1

Jovem que quer parecer o diabo faz nova mudança facial





Tudo começou no ano passado, quando ele fez sua primeira aplicação de silicone na testa, para criar chifes artificiais. Mais tarde, não muito satisfeito com o resultado e buscando uma suposta aparência com o diabo, ele resolveu remover parte das narinas. Agora, para fechar com "chave de ouro" o rapaz decidiu aumentar os chifres e investir um pouco mais no marketing pessoal, mostrando para todos (conforme havia prometido) o resultado de tanto sacrifício. O resultado você vê acima.

Fonte: O Buteco da Net

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Porque o defunto deixou a igreja: Origem dos cemitérios no século XVII

Aconteceu no mundo inteiro, um fenômeno curioso no final do século XVII. Por medida sanitária os sepultamentos passam a realizar-se em área aberta, nos chamados campos-santos ou cemitérios secularizados.
Isto já não era novidade, japoneses, chineses, judeus e outros povos já traziam tradicionalizada a inumação a "céu aberto". Os protestantes também, em muitos países o faziam. A mudança afetou principalmente os povos de predominância católica. No Brasil o enterro fora da igreja era reservado aos não-católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, escravos e condenados, até que por lei, inspirada na correlação que se fez entre a transmissão de doenças através dos miasmas concentrados nas naves e criptas das igrejas, se instalaram os campos de sepultamento ensolarados.

"Esta a morte perfeita, nem lembranças, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso..."Lygia Telles(Venha ver o pôr-do-sol)

Um outro motivo, que embora não diga respeito a realidade brasileira merece ser citado, diz respeito a laicização do Estado e sua separação da Igreja. Um exemplo digno de nota é o caso do Pére Lachaise de Paris, que apesar de receber o nome de um padre católico abriga tanto pessoas de várias religiões quanto não-religiosos, sendo um dos dos primeiros cemitérios laicos e também um dos mais famosos do mundo.
A urbanização acelerada e o crescimento das cidades é também uma importante razão para a criação dos cemitérios coletivos a céu aberto, visto que o crescimento populacional desenfreado não permitia mais o sepultamento em capelas e igrejas, que já não comportavam o aumento da demanda.
Numa primeira impressão o fato parece ter explicação simples,mas quando se atenta para o resultado ocorrido, sobre mais de um século, estudando-se o fantástico derrame de fortunas nas construções tumulárias pomposas, dos abastados de cada cidade, quando se verifica a diferença de comportamento entre a sepultura de igreja e a de construção livre arbitrada pela fantasia do usuário, e também quando se considera a história social e cultural do mesmo período, então se percebem outras razões no fenômeno. Não foi somente uma questão do ponto de vista higiênico, ou seja, uma razão metade prática e metade científica (e também política e social), da sociedade oitocentista.Se esta mudança acontecesse apenas por esse motivo, os cemitérios católicos em descampados teriam permanecido sóbrios e padronizados do mesmo modo que os erigidos por irmandades em mausoléus coletivos, ou como os de outras religiões.
A simplicidade dos padrões tradicionais e primitivos continuou caracterizando a sepultura coletiva enquanto o fausto e a arrogância da tumulária individual se desenvolveu espantosamente.
Portanto a verdadeira razão da grande mudança de atitude e gosto já existia há longos tempos no anseio de monumentalizar-se perante a comunidade. Era e sempre foi o desejo dos mais abastados, distinguir-se através de uma marca perene, de um objeto de consagração- o túmulo- pela atração de compara-se aos grandes personagens da história, sem a menor cerimônia, incluindo nesta leva os soberanos, os faraós, os reis, os papas e os príncipes, que mereceram sepulcros diferenciados dos demais.
Há de fato túmulos monumentais de papas de acordo com a pompa de cada época, contudo sempre integrados à construção da igreja. Há papas que não restaram por virtudes, e sim pela eventualidade do valor artístico, ou monumental de seus túmulos. De qualquer modo, erigia-se a igreja como bem público, integrada ao uso coletivo, e nela se fazia a sepultura do seu doador e benfeitor...
Entretanto em muitas igrejas, originalmente levantadas para serem o jazigo do doador, este descansa sob uma lápide que nem perturba o nível do chão.
A arte tumulária varia com a data, acompanha cada estilo de época, e de região, e jamais sonega o caráter, a espiritualidade do meio em que ocorre. Sob tal prisma, isto é, tomando-se a arte tumulária como representativa desses atributos, podemos entender as estruturas sociais e culturais dos meios, mesmo quando tal se acha restrita a uma parcela da população. Aliás tal restrição relaciona-se diretamente com o tipo de economia da sociedade, estando deste modo a arte cemiterial condicionada a fatores de caráter sociológico, econômico e cultural.



por Beatrix Algrave
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
FORGANES,Rosely.Os mortos que nunca descansam.In: Caminhos da Terra,:Azul,Março de 1998,Ano 07 nº3 Edição 71,p.66-71.
LANGALDE,Vincent de.Ésoterisme, Médiuns, Spirites du Père Lachaise. Paris: Vermet,Collection Cemetières de Paris et d'ailleurs,1990.SCAVONE, Míriam. Surpresas de bronze e mármore. In: Veja SP, : Abril, 30 de out., 1996. p. 12-19.
VALLADARES, Clarival do Prado.Arte e Sociedade nos Cemitérios Brasileiros.Brasília: MEC-RJ, 1972

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Igreja Católica e o Fenômeno dos padres cantores

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCOCENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA


Curso de Especialização em História do Século XX


Disciplina Panorama da Igreja Católica no Século XX


A IGREJA CATÓLICA E O FENÔMENO DOS PADRES CANTORES


Luciana Paula Carvalho de Souza Leão


Trabalho destinado à conclusão da disciplina “Panorama da Igreja Católica no Século XX”, ministrada pelo Prof. Dr. Severino Vicente da Silva, no Curso de Especialização em História do Século XX


Recife 2008


SUMÁRIO


1 INTRODUÇÃO


2 CRISE NA IGREJA CATÓLICA


3 FENÔMENO DOS PADRES CANTORES


4 MODERNO OU TRADICIONAL?


5 A IGREJA CATÓLICA E O SÉCULO XXI1 INTRODUÇÃO





Antes hegemônica entre os brasileiros, a Igreja Católica passou a vivenciar, a partir dos anos 80, a disputa dos fiéis por outras religiões, em especial pelas igrejas evangélicas de cunho pentecostal. Naquele momento, dividida entre os teólogos da Teologi a da Libertação e os conservadores, a Igreja identificou a necessidade de reagir e passou a incentivar o uso dos meios de comunicação como forma de divulgar a mensagem de Jesus Cristo e atrair fiéis para os templos. Entre as formas de responder a este desafio está o crescimento do número de emissoras de rádio e de televisão católicas e o fortalecimento da Renovação Carismática Católica no Brasil (RCC). No seio da RCC, surgiram vários padres que utilizam a música como meio de atrair fiéis para as igrejas, chamados popularmente de padres cantores. O mais famoso deles é o padre Marcelo Rossi, paulistano de 41 anos, que, em 1997, massificou um novo formato de missas e cerimônias religiosas caracterizadas por muitas canções, por orações pela cura individual e em agradecimento por graças alcançadas. Neste trabalho, vamos analisar a trajetória de padre Marcelo Rossi e de outros padres cantores nestes últimos 11 anos, as críticas que sofreram dentro e fora da Igreja Católica, as contradições entre o moderno e o tradicional no discurso e na prática destes sacerdotes e as conseqüências deste fenômeno para a Igreja. Ao final, abordaremos as perspectivas dos padres cantores – que foram incentivados pelo papa João Paulo II – no novo contexto da Igreja, sob o papado de Bento XVI.





2 CRISE NA IGREJA CATÓLICA


O papa Bento XVI, que assumiu o papado em 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo II, quer os católicos mais firmes e mais bem formados em sua fé. A Igreja não quer apenas os abastados e que abandonaram a religião, mas pretende evangelizar as camadas mais pobres da população e que estariam sedentas de Deus, sem, contudo, se aproximar da Teologia da Libertação. Na sua primeira visita ao Brasil, em maio de 2007, Bento XVI deu demonstração do modelo de igreja que pretende adotar: canonizou Frei Galvão fora do Vaticano, numa atitude considerada inédita, promoveu encontro com a juventude militante católica e visitou uma fazenda de recuperação de drogados. Aproveitou também para mostrar a sua preocupação com a evasão de fiéis católicos no Brasil – fato confirmado pelos censos do IBGE desde 1991. Para ele e para o clero mais conservador, no qual se insere o cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Odilon Scherer, a Igreja precisa chegar aos lugares mais afastados, por meio dos padres e dos cristãos leigos, nas escolas, nos centros comunitários, no trabalho.Ser católico no Brasil, até os anos 60, era seguir a orientação de bispos e padres, sem muita contestação. Com o advento do Concílio Vaticano II, na década de 60, que, na verdade, espelhou em suas diretrizes as mudanças ocorridas no mundo naquele momento, muitos católicos passaram ser sujeitos engajados politicamente, no caso dos adeptos progressistas da Teologia da Libertação. Foi a luta contra as ditaduras, a defesa dos direitos humanos, o que mais congregou parte da hierarquia católica do Brasil, nessa época, para uma postura progressista . Outros continuaram freqüentando as missas tradicionais, nas quais os “novos ventos” pouco foram sentidos. Alguns ainda se diziam católicos, por formação, mas deixaram de ir à missa. Entre os que se distanciaram da Igreja, alguns o fizeram por buscar um entendimento direto com Deus, sem a intermediação de outros na sua religiosidade. Já as questões ligadas à sexualidade e reprodução (proibição ao sexo fora do casamento e ao uso da camisinha e de anticoncepcionais), embora não praticadas nos moldes do catolicismo tradicional, não teriam sido motivo para o afastamento ocorrido. Há os casos ainda dos que deixaram de se denominar católicos ou passaram a freqüentar outras religiões, principalmente as novas religiões de cunho pentecostal, num formato de protestantismo popular.Para a antropóloga Regina Novaes, do Instituto Superior dos Estudos da Religião (ISER) “O catolicismo se confunde com a cultura e se mistura com a história, com a ocupação do território, com o calendário de festas e de dias cívicos, sempre foi possível ser católico e não seguir a doutrina. O batizado, o casamento religioso e o enterro católico fazem parte dos rituais de apresentação social no país, expressam diferenças de poder aquisitivo e prestígio. Há quem freqüenta a Igreja e segue a doutrina, há quem esconde vivências religiosas e há quem se defina como católico e umbandista. Há uma convivência de muitas formas de ser católico”.Em 1970, os católicos eram 91,8% da população brasileira. O que os censos demonstraram em 1991 e em 2000 – neste último, os católicos são 73,9% dos brasileiros, mas os evangélicos já somam 15,6% da população –, é que houve maior penetração do pentecostalismo em regiões como o Centro-Oeste, o interior da Bahia e nas periferias das capitais do Nordeste e do eixo Centro-Sul . Em sua maioria, os novos evangélicos eram migrantes, com baixo nível de escolaridade e de qualificação profissional, segundo o sociólogo César Romero, um dos autores de trabalho publicado no Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil. Para Romero, nas áreas onde o pentecostalismo cresceu, o Estado estaria ausente. Os migrantes, que haviam perdido suas raízes e não mantinham vínculos com a sociedade local, terminavam sendo acolhidos pelas igrejas evangélicas , que fazem uso da comunicação televisiva e pelo rádio como um dos principais meios para se chegar ao fiel. A compra da Rede Record pela Igreja Universal do Reino de Deus foi o ápice desta “corrida” pelos fiéis, numa demonstração de força inequívoca desta nova religião.Ainda na década de 80, o clero no Brasil despertou para estas mudanças, ligadas ao processo de urbanização das cidades, que favoreceram o surgimento de novas religiões e a difusão de religiões vindas do exterior . A partir de uma autocrítica, em que mudou sua postura de confronto com o que chamada anteriormente de seitas e de fanáticos, a Igreja passou a implementar mudanças de postura, buscando a modernidade, inclusive com o uso de ferramentas de marketing religioso e de comunicação. Ampliar o uso dos meios de comunicação para divulgação da mensagem católica foi um dos caminhos percorridos pelos católicos nesta busca, mesmo que com a desconfiança dos progressistas, ligados às Comunidades Eclesiais de Base (CEBS) e à Teologia da Libertação. Dentro da Igreja, em especial nos setores de classe média, se avolumam os movimentos e grupos reavivamento espiritual, como a Renovação Carismática, o Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC) e os Cursilhos de Cristandade . A Renovação Carismática Católica (RCC), movimento de leigos católicos nascido entre os pentecostais americanos em 1967 e trazido para o Brasil pelo padre Eduardo Dougherty em 1972, com características pentecostais e moral conservadora, se identificava, também, como os progressistas, como sendo fruto do Concílio Vaticano II, que ditou os novos rumos da Igreja a partir dos anos 60. Dispostos a ir à luta contra “o inimigo”, em especial a Igreja Universal do Reino de Deus, os carismáticos passaram a usar as mesmas armas: a comunicação, contando, inclusive, com a benção do papa João Paulo II, conservador que privilegiou a ação pastoral e perseguiu os seguidores da Teologia da Libertação.





3 FENÔMENO DOS PADRES CANTORES


A Renovação Carismática Católica (RCC) precisou de apenas 16 anos para ser reconhecida pela Santa Sé como um movimento católico . A base de sua estrutura são os grupos de oração, organizados nas paróquias ou centros comunitários, liderados por leigos, que hoje deram origem a diversas comunidades carismáticas no País, onde os laços de vida dos seus integrantes se estreitam mais. Seus encontros são festivos, com música e gestos parecidos com os pentecostais, podendo ser organizados em âmbito paroquial ou mesmo diocesano, com grande autonomia. Caracteriza-se por promover grandes eventos de louvor a Deus e a Maria em áreas como estádios de futebol ou ginásios esportivos. As sementes da RCC foram plantadas no Brasil ainda na década de 60, com o padre jesuíta norte-americano Harold Joseph Rahm, ou padre Haroldo, que fundou o Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC) em que juntou elementos da espiritualidade jesuíta, da Juventude Estudantil Católica (JEC), da Juventude Operária Católica (JOC), da Legião de Maria entre outros movimentos, tendo a pretensão de formar lideranças cristãs . Neste trabalho, o objetivo era levar os jovens a ter experiência de iniciação na vivência espiritual, preparando-os para o futuro da Igreja.Os padres Haroldo Rahm e Eduardo Dougherty, ao lado de outros sacerdotes estrangeiros e brasileiros, como o padre Jonas Abib, espalharam as experiências de oração por São Paulo e outros Estados, por meio de retiros e encontros de oração, dando início à RCC. Hoje, padre Haroldo atua na coordenação de fazendas de recuperação de dependentes e se afastou do comando da RCC. Os outros dois continuam na Renovação, comandando movimentos distintos.Em 1980, padre Eduardo fundou a Associação do Senhor Jesus (ASJ), para divulgar material religioso como livros de formação e de cânticos, o que auxiliou a expansão dos ideais da RCC em todo o Brasil. As canções passaram a fazer parte das missas dominicais e embalavam os encontros de oração também pelo país afora. Aos poucos, foram sendo criados programas católicos em diversas emissoras, como o “Anunciamos Jesus”. Hoje, a ASJ produz conteúdo para sites na internet, para a revista Brasil Cristão e para a TV Século 21, que conta com retransmissoras em 14 Estados do País .Também se destaca a Comunidade Canção Nova, capitaneada pelo padre Jonas Abib, que hoje já conta com uma rede de TV (TV Canção Nova) e é o canal católico que mais cresce no País. A emissora opera em VHF e em UHF e por satélite, contando com 500 retransmissoras de TV e 200 operadoras de TV por assinatura, cobrindo 52% do território brasileiro. Uma outra rede católica, a maior delas, é a Rede Vida , que cobre em UHF-VHF mais de 1.500 municípios do Brasil, entre eles todas as capitais brasileiras e as 500 maiores cidades, sendo retransmitida também por TVs por assinatura. A programação ocupa as 24 horas do dia, incluindo noticiários e programas de entrevista não-religiosos. Nasceu a partir de um jornalista católico que obteve uma concessão de TV em São José do Rio Preto. Hoje, abriga de carismáticos a progressistas, sob o comando de João Monteiro Neto, o fundador.Os três movimentos contam com sites interativos, em que estão disponíveis a programação veiculada nas emissoras de rádio e de TV, orações online e orientações religiosas.Este ambiente estimulado pela corrente carismática, que já atinge mais de 12 milhões de católicos no País, foi propício para o surgimento do fenômeno dos padres cantores, do qual o padre Marcelo Rossi é o seu principal expoente. Lá trás, na década de 60, o pioneiro José Fernandes de Oliveira, conhecido nacionalmente como padre Zezinho, estimulou os fiéis a entoar cânticos evangelizadores. Desde 1969, já são mais de 1.500 canções, a maioria de sua autoria, que estimularam Marcelo Rossi e os demais sacerdotes cantores, como os padres Antônio Maria e Zeca e, mais recentemente, Joãozinho e Fábio de Melo, estes dois ligados à Canção Nova e da mesma congregação de padre Zezinho, dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus.Fábio de Melo já tem dez anos de estrada e já gravou mais de dez discos. Apresenta-se em casas de shows, vende livros e CDs, ministra palestras, mas somente agora a mídia comercial o descobriu. Seu CD mais recente é divulgado quase diariamente na Rede Globo. Padre Joãozinho é catarinense de Brusque e também viaja o País inteiro realizando shows. Sua agenda para 2009 , divulgada no seu blog na Internet, prevê retiros em São Paulo e Betim, no Carnaval; um período de um mês em Roma, entre maio e junho, no Capítulo Geral da Congregação, cursos sobre o seu livro “As virtudes do Líder Amoroso”, para empresários, e muitos shows de evangelização, principalmente no Nordeste.O padre Antônio Maria, sacerdote há 29 anos, já gravou 16 CDs, inclusive com a participação de cantores como Daniel, Ângela Maria, Agnaldo Rayol, José Augusto, Moacyr Franco, Roberto Leal, Hebe Camargo, Chitãozinho e Xororó, Sérgio Reis, Zezé Di Camargo e Luciano, Leonardo, Simone, Rio Negro e Solimões, César e Paulinho, Jorge Aragão, KLB e Alexandre Pires. Participa freqüentemente de programas de televisão comercial e também é responsável pelo programa "Pra lá de bom", na TV Século 21. Virou uma celebridade nacional e circula entre os artistas, celebrando missas, batizados e casamentos de famosos. Mantém atividades sociais no bairro de Jaraguá, em São Paulo, atendendo 350 crianças de diversas idades, e é devoto de Nossa Senhora de Schoenstatt, a quem homenageia levando sua imagem para onde vai .Ídolo da juventude carismática, o padre Zeca, 37 anos, reassumiu seu nome de batismo – José Luiz Jansen de Mello Neto – há um ano, quando pediu licença à Arquidiocese do Rio de Janeiro e se afastou de suas funções sacerdotais. Criador do movimento “Deus é Dez”, arrastou milhares de jovens para eventos na Praia de Ipanema nos anos 90, mas hoje circula entre amigos em bares e boates, e não comenta o motivo de seu afastamento da Igreja . Já o mais famoso de todos os sacerdotes cantores – o padre paulistano Marcelo Rossi, de 41 anos, continua em “plena forma”. Foi alçado ao estrelato com a realização de megaeventos, como o realizado no dia 2 de novembro de 1997, o encontro religioso "Sou feliz por ser católico", quando ele reuniu numa missa 70 mil pessoas no estádio do Morumbi, em São Paulo. No ano seguinte, no dia 12 de outubro de 1999 , no Maracanã, com a presença dos outros padres cantores – Zeca, Zezinho, Jonas Abib e Antônio Maria –, Marcelo Rossi foi o maior responsável por atrair mais de 170 mil pessoas ao estádio. Ele já lançou oito CDs, ultrapassando mais de 9,5 milhões de discos vendidos. O primeiro CD “Canções para Louvar ao Senhor” teve 3,5 milhões de cópias vendidas. Para reforçar a imagem de evangelizador, lançou dois filmes, , em 2003 “Maria, Mãe do Filho de Deus”, com a participação da atriz global Giovanna Antonelli, em que interpreta ele mesmo e o anjo Gabriel e, em 2004, “Irmãos de Fé”, que conta a vida do apóstolo Paulo, com a participação do também global Thiago Lacerda. Superexposto no período de 1997 a 2002, quando não rejeitava convites para participar de programas de televisão, e recebeu inúmeras críticas por isso, hoje, o padre Marcelo Rossi está mais reservado, mas não se afastou do seu trabalho evangelizador pelos meios de comunicação. Mantém programas de rádio veiculado na Rádio Globo – seus primeiros programas em 1996 foram na Rádio Canção Nova – e em outras 118 emissoras pelo país afora e também celebra, ao lado do seu bispo, Dom Fernando Figueiredo, da Diocese de Santo Amaro (SP), a missa dominical na Rede Globo, veiculada também na Globo Internacional para 12 países. No dia 21 de abril de 2008, no Autódromo de Interlagos, realizou o evento "Paz Sim, Violência Não" para comemorar os seus dez anos de evangelização, tendo gravado um DVD que leva o mesmo nome deste evento. A estimativa é que mais de três milhões de pessoas tenham acompanhado o evento, que contou com a participação de centenas de caravanas de todas as partes do País. Logo após os shows, com a presença de Xuxa, Ivete Sangalo, Bruno & Marrone, Zezé Di Camargo & Luciano, César Menotti & Fabiano, Alcione, Daniel, Sérgio Reis, Hebe Camargo e Paulo Ricardo, o padre Marcelo e o bispo Dom Fernando celebraram missa, com a participação do cantor Agnaldo Rayol e do maestro e pianista João Carlos Martins . O “recolhimento”, explica padre Marcelo, tem a ver com os exageros cometidos no passado:“Depois de alguns anos aparecendo com muita freqüência, eu aprendi que a superexposição é perigosa. Há momentos em que se deve aparecer, mas existem outros em que o melhor é se recolher. E é quando bate aquela saudade. Em 1999, eu me expus tanto que fui eleito o “Mala do ano”. Não dava para continuar daquele jeito e eu reconheço que exagerei. Por isso minha saída dos meios de massa foi proposital” .O sacerdote se afastou da mídia comercial, mas suas vendas continuam em alta. Ele justifica que não é um artista, mas um padre:“O artista aparece e desaparece. E eu saí dos meios de comunicação populares, mas continuo nos veículos de viés católico. Tenho um programa diário em uma rádio que só no Rio de Janeiro é ouvido por mais de um milhão de pessoas por minuto. Em São Paulo, são 800 mil ouvintes. Em Belo Horizonte, outros 300 mil. E esse programa é retransmitido por 118 emissoras de rádio espalhadas pelo Brasil. Aí está a resposta para o meu sucesso .Hoje, ele está mais envolvido com a arrecadação de recursos para a conclusão do Santuário Mãe de Deus, conhecido como do Terço Bizantino, um dos maiores templos já construídos no Brasil e que rivaliza em dimensão com os templos da Igreja Universal do Reino de Deus em construção no Rio de Janeiro e em São Paulo. O santuário, no distante bairro de Interlagos, terá capacidade para receber cem mil pessoas, duas vezes mais do que a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, e 30 vezes mais do que a Catedral da Sé . Para ele, o catolicismo precisa atualmente de religiosos que entendam a importância de reunir pessoas em um mesmo lugar para celebrar.Ordenado padre em 1994, rapidamente ele ganhou fama na Diocese de Santo Amaro, na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália, por suas missas de libertação. Rapidamente, os fiéis se aglomeravam em busca de curas e de graças. Ele já passou por diversos locais de celebração, cada um maior que o outro, enquanto aguarda a conclusão do novo espaço, prevista para o próximo ano. Atualmente, celebra missas num antigo galpão de fábrica, com capacidade autorizada de dez mil lugares. Dentro e fora destes ambientes, formou-se um comércio de artigos religiosos, incluindo livros, CDs e exemplares do Terço Bizantino, uma espécie de terço mais simples e mais acessível aos fiéis .





4 MODERNO OU TRADICIONAL?


Muitos integrantes do clero católico acreditam que o aparecimento do fenômeno dos padres cantores, em especial o de padre Marcelo, auxiliaram a Igreja a atrair de volta antigos fiéis e também incentivaram a identificação de vocações sacerdotais. Em outras como a do Rio de Janeiro, segundo pesquisa realizada por Sílvia Regina Alves Fernandes, do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) , a influência dos padres cantores é mais sentida entre os vocacionados que se dizem carismáticos. Muitos demonstraram admiração pelo padre Marcelo Rossi, mas criticaram o relacionamento com a mídia e a exposição exagerada que o sacerdote alcançou. Para a pesquisadora, contudo, deve ser considerada a hipótese de que “a presença dos padres na mídia faz despertar na juventude a sensibilização para a presença de um novo ator social, anteriormente relegado às sacristias. Nesse sentido, na medida em que a figura do padre torna-se mais pública, passa a entrar no rol de opções profissionais ou vocacionais de uma juventude proveniente de camadas populares e com baixa capacidade de inserção na vida social”.De uma forma geral, entretanto, números do CERIS indicam que, nos últimos anos, tem aumentado o número de jovens que ingressam na vida religiosa. Em 1970, havia 4.181 seminaristas diocesanos; em 1980, eram 5.329 seminaristas; em 1990, eram 5.870 jovens nos seminários; enquanto, em 1998, já eram 7.893 jovens freqüentando os seminários. Na Diocese de Santo Amaro, a de padre Marcelo Rossi, o número de seminaristas passou de cinco para 115 em dez anos. O discurso do padre Marcelo Rossi é simples e se caracteriza pela repetição . Segundo ele, são “coisas rápidas para a sociedade de hoje, que tocam as necessidades da pessoa”. Suas homilias são curtas e se baseiam em exemplos compreensíveis para o católico, especialmente para aqueles que veneram Maria: “Jesus é o caminho, eu sou apenas a seta que aponta para esse caminho”. Ele incentiva a prática das novenas, da reza do terço e a realização das procissões, retomando símbolos do catolicismo tradicional , ao mesmo tempo em que se diz moderno, implementando mudanças na liturgia e ocupando espaço constante na mídia comercial. Para os progressistas, sua fala, que se baseia na RCC, prega uma nova romanização na Igreja Católica no Brasil, levando a uma ortodoxia cada vez mais espiritualizada deixando de lado a questão política e social. As críticas mais ferozes vieram de teólogos como Frei Betto, Dom Mauro Morelli, Dom Pedro Casaldáliga, Leonardo Boff e padre José Comblin . Frei Betto, por exemplo, até considera positivo o reavivamento espiritual, o consolo aos aflitos, a cura dos enfermos e o reencontro da fé. Mas, critica o que chama de “fórmula do sucesso”, os momentos de louvor em que há muita emoção, pouca razão e o privilégio do espiritual em detrimento do social. Já o teólogo Clodovis Boff, embora seja um dos nomes mais ligados à Teologia da Libertação, usa um discurso mais conciliador em relação à RCC . Segundo ele, a RCC “oferece um reforço da espiritualidade católica e conversão pessoal; propicia um reforço institucional através de sua ênfase na pertença comunitária” e “adequa-se à pós-modernidade porque responde às demandas de sentido e sabe falar ao coração do homem pós-moderno”. O frade Alberto Beckhauser , ligado à CNBB, diz que “a organização litúrgica feita pela RCC é inadequada havendo superficialidade na adaptação da linguagem simbólica da liturgia à linguagem televisiva”. Ele se refere diretamente aos padres Marcelo Rossi, Jonas Abib e Eduardo Dougherty, criticando a exposição midiática, considerado um grave problema, caracterizado pela busca de resultados imediatos como o aumento do número de fiéis e paróquias com mais recursos financeiros. Fenômenos autônomos um em relação ao outro, a Renovação Carismática e a Teologia da Libertação, na verdade, lutam por ideais que se complementam, na visão de Clodovis Boff . Para ele, enquanto a RCC vive a fé como experiência, enfatiza a oração, busca a transformação pessoal, dá importância à emoção, faz a opção pelos “perdidos”, está centrada na Igreja, liga-se à Igreja universal e visa à afirmação social da Igreja, os adeptos da Teologia da Libertação vivem a fé como prática, enfatizam o serviço, buscam a transformação social, dão importância à reflexão, fazem a opção pelos pobres, estão centrados no mundo, ligam-se à Igreja local e visam à renovação institucional da Igreja, não devendo as duas correntes ser tratadas, portanto, como setores antagônicos dentro da Igreja Católica, mas integrantes de uma só Igreja, voltada para a comunhão do homem com Deus.





5 A IGREJA CATÓLICA E O SÉCULO XXI


O anterior e o atual papa tiveram a mesma intransigência em relação a posições doutrinárias da Igreja. Mas, enquanto João Paulo II, ele próprio um comunicador que gostava de eventos de massa, incentivava a RCC e seus líderes, por entender que este poderia ser um caminho de estancar a fuga dos fiéis seduzidos pelos cultos evangélicos, o papa alemão pensa bem diferente. Por enquanto, não houve qualquer censura pública aos movimentos carismáticos, mas até mesmo a pouca participação de padre Marcelo Rossi na visita do papa a São Paulo no ano passado demonstra que a RCC perdeu força neste momento.Marcelo Rossi concorda com o papa em temas como aborto, homossexualidade, experiências com células-tronco e ordenação de mulheres, mas os ritos que utiliza em suas missas não “combinam” com o estilo ortodoxo do pontífice, que já incentivou o retorno das missas em latim. Bento XVI já disse que” a liturgia não é um show. É completamente contraditório introduzir nela pantomimas em forma de dança, que freqüentemente terminam em aplausos” .No passado, quando era prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, o então cardeal Joseph Ratzinger foi responsável por impor o silêncio a 140 teólogos de todo o mundo, principalmente progressistas. A expectativa agora é que ele, se não incentive como fazia João Paulo II, pelo menos não reprima ou os cale.Como a RCC se mostrou até agora a resposta mais eficiente da Igreja para combater o avanço dos evangélicos e de outras religiões no País, com suas missas marcadas por uma liturgia coreografada , atraindo de volta para o catolicismo parte do rebanho que se havia desgarrado em busca de uma visão mais mística e menos politizada da religião, acreditamos que seja mantida a tendência de crescimento e o movimento, que congrega cerca de 12 milhões de pessoas no Brasil, seja abençoado pelo novo papa.A RCC e seus seguidores, entre os quais estão os padres cantores, estão entre os movimentos que buscam reencantar o cristianismo, recuperando elementos antigos de religiosidade, ao mesmo tempo em que interpreta o momento atual da sociedade com base em padrões religiosos. Sua força está na organização do movimento, na sua ligação com os setores conservadores da Igreja (nacional e internacional) e de sua afinidade da sua mensagem religiosa voltada para a recuperação do catolicismo romanizado, mas, principalmente, por ter conseguido falar a língua de muitos que buscam Deus.


BIBLIOGRAFIA


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